quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Do fluir...
Chego a rir de mim mesma, como conduzi estas palavras sem nenhum planejamento de pensamento, apenas fluindo no curso das letras e sentimentos. Mas o que me levou a escrever foi esta alegria doce e faceira perceptível a qualquer um, com este sorriso persistente no rosto. As maçãs mais avantajadas, o olhar mais bobo e os dentes ora e outra à mostra...
Não. Não estou apaixonada.
Penso até que felicidade não está relacionada a acontecimentos externos, é uma afirmação íntima e pessoal ligada ao propósito existencial entre você e Deus. No entanto, entre tantas contradições da vida, tenho de concordar que alguns fatos trazem um gostinho de realização todo especial. Feliz é aquele que consegue perceber e degustar desses significativos prazeres cotidianos que dão o toque e o sabor ao todo, como a cereja do bolo. =)
Posso dizer que nesta última semana degustei de várias cerejas. Numa noite quente de terça-feira, Deus falou comigo de uma maneira surpreendente. Voltei no tempo e relembrei momentos marcantes e transformadores que vivi, senti sua cura em vários deles que trouxeram dores profundas. Não me arrisco em tentar definir o que senti. Mas a cena que vem em minha mente é de um olhar entre seu pai e sua filha de encontro e complacência em um gesto único e tão cheio de amor, capaz de romper a linha do tempo e eternizar o momento por toda a existência.
Meu sorriso também surge, ao ver a alegria do meu irmão mais novo. Todo serelepe, se encontrando na cidade nova, fazendo novos amigos, transformando sua rotina e comemorando o novo trabalho, depois de um tempo difícil e triste.
No meio de uma semana cheia de muito trabalho, desafios e percalços, ontem me surpreendi”....
...
Escrevi este texto numa manhã de domingo, no dia 18 dezembro de 2011 e sinceramente, não me lembro do que me surpreendi no dia anterior! haha! Só me recordo que fui interrompida com a ligação da minha irmã me chamando para o almoço, em família, na casa do meu co-cunhado. Talvez, caberia mais um parágrafo descrevendo a alegria de viver esse momento e tê-los por perto.
Um novo ano melhor pra todos nós. Cheio de pequenas alegrias e saborosas degustações.=P
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Do dia..
No final da tarde, ao me deparar com tanta morosidade, confesso que senti uma pontinha de preocupação... Busquei resgatar da minha memória: “Eu não teria outra coisa mais proveitosa pra fazer?” Logo abstraí e lembrei que eu merecia... Afinal, era feriado e ralei muito nos últimos dias estudando para a tal prova do mestrado...
Finalizo o meu dia com um ar de contentamento e refletindo em um diálogo que me chamou atenção em um dos filmes, que confesso, assisto pela terceira vez. Não lembro ao pé da letra, mas, parafraseando, era algo como: “Se você não aquietar e parar de querer resolver tudo, de se preocupar em demasiado com o sentimento das pessoas, de quem amou ou deixou de amar ou de encontrar algo para aquecer seu coração, se não se esvaziar de tudo, não vai permitir que Deus entre e preencha este espaço com o grande amor Dele...”. Gostei. Ao orar esta noite, sussurrei baixinho: “Esvazia-me Senhor. Esvazia-me. Te amo tanto...” =) Boa semana pra nós!
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Do revelar...
...Entendo quando dizem que você é o Alfa e o Ômega. O princípio e o fim... Quando estou em ti- mergulhada, imersa e envolvida pelos elementos que inundam o meu ser - é que vislumbro a dimensão de quem és e de quem sou em ti. Nesse momento, nesse exato momento de doce, sublime e extraordinária graça, entendo e relembro quem sou. Recordo-me que tudo começa, e tudo termina em ti. És o ciclo. A aliança eterna. Onde tudo nasce, existe e coexiste.
- Quando estou lá, desejo, profunda e soluçadamente, eternizar esse momento. É quando não preciso de mais nada, além da tua presença saciadora invasiva e abundante.
Obrigada por te ter...
Te amo..
Sempre...
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Do ser-e-inventar...
Em três anos vivi grandes mudanças. Conheci lugares, nichos, famílias e pessoas diferentes. Consigo olhar para trás e sinto que apesar de ter vivido intensamente tudo e a todos, às vezes me comportava como uma expectadora. Alguém que os observava, interagia, conquistava, analisava e logo se despedia, levando um pouco de cada um, de suas vidas, culturas, conquistas de seus prazeres e dissabores.
Gente!
O lugar, com suas peculiaridades, atrativos, história e contextos torna-se vazio quando não se conhece pessoas, não se estreita relacionamentos, quando não se constrói ligação, vida e amizade. Conheci pessoas que de certa forma estarão sempre comigo, porque as vivi tão intensamente que um pouco delas ficou em mim. Seja um olhar, jeito de ser, sorriso, conselho, sermões, aquele gesto altruísta ou até mesmo aquela noite de lágrimas solidária. Também foram evidentes as decepções e os desapontamentos - a dura e cruel tarefa de encarar a realidade, a maldade, debilidade e falha das pessoas, inerente a todos. Experimentei o cuidado e o carinho de Deus em cada um deles, de formas e intensidade diferentes.
Queria poder expressar para todos eles, cada um - seja de Fortaleza, Belo Horizonte, Palmas, Rio de Janeiro à Dores do Indaiá... O quanto foram e são tão preciosos pra mim. Mas tenho a amarga franqueza de admitir: sou péssima em manter contato!
"Changes"
Depois de um tempo difícil. Vivi um choque. De volta a estaca zero: cidade natal. Ali, apesar da vista ainda embaçada, passei a enxergar, claramente, pequenas verdades...
Descobri que apesar de tudo e de todas as frustações, existe algo incrustado em mim que excede toda dor e todo o medo. Ele me faz renegar qualquer segurança palpável ou falsa, em função dos meus princípios e da minha aliança profunda e eterna com Ele. De forma tão sutil, sobrenatural e real, Ele é sempre suficiente pra mim.
Entendi que apesar de tudo, sou muito abençoada porque minha família é o meu bem mais precioso e, mesmo distantes, temos uns aos outros. Amo cada coisinha e cada pedacinho deles. Depois de algumas mudanças, finalmente entendi que amo e escolhi a cidade mais nova do Brasil pra viver, ela parece comigo. Sempre me recebe como um filho que volta pra casa e ainda com mimos e ovação de "Palmas".
E ainda na luta por vencer numa redação "eletrizante", descobri que nada é impossível ou difícil, quando você batalha pela sobrevivência. Os limites ou os obstáculos ficam escancarados como simples portas para, naturalmente, ultrapassá-los. De quebra, ainda percebi que me divirto com minha labuta jornalística.
Descobri ainda que a dor de mais uma desilusão é superada com muito trabalho, bons e velhos amigos e o já conhecido "tempo". Finalmente entendi, que apesar das desavenças e desgastes que a moradia com amigos causem, eu odeio morar sozinha! Sou mais feliz, quando tem mais alguém em casa, quando ouço o barulho vindo da cozinha, ou das conversas soltas sobre os afazeres do dia, antes de mais uma noite de sono.
Rompi preconceitos. Desvencilhei-me da busca infeliz pela perfeição, aceitei meu estado civil como uma benção, e claro, uma fase... (rs). Aprendi a rir de mim mesma, das minhas tolices e inseguranças, curtir minhas amigas, jogar conversa fora, além de rir bastante e mostrar a beleza em ambientes charmosos, regado a boas conversas e companhias.
Depois de tantas afirmações, acreditei que meu sorriso é realmente encantador, bem como a minha pessoa cativante...(olha a modéstia). Defini dentro de mim o quanto amo pessoas e o quanto quero estar perto delas. Como aprecio poesia, boa música, fotografia e aqueeela leitura.
Enfim.
Momentos, lágrimas, pessoas e lugares; somam à bagagem, transformam o cotidiano, recriam algo a partir do que já existe. O dom, a fé, a presença Dele, a força. O mistério do ser, do viver e a incrível capacidade diária do homem de se reinventar. Amo.
domingo, 4 de abril de 2010
segunda-feira, 15 de março de 2010
Prece...
"Nossos rumos são decididos na prece. Ela nos antecede. Orienta. Gesta nossos compromissos. Pendula nossas paixões.
Mas para os que já se decepcionam com o que parece ser uma recrudescência piedosa, meu escape: não qualquer renovação, mas uma que me potencializa a vida. Eu que não sabia mais o que fazer com a oração, tenho-na de volta, melhor e poderosa. Porque acordei para o que sempre esteve diante dos olhos. Orar é atravessar conflitos de imaginação. A tensão que nos lidera.
É muita ingenuidade a nossa continuar a crer que a vida é decidida, no que pode ser decidida, no instante. Nada nele se resolve. O instante apenas encena fugidio o que a imaginação ensaia à exaustão.
Nossas impaciências, acessos raivosos, medos, prazeres, tolerâncias, resiliências, atrações, repulsas, docilidades, cada uma de nossas mais humanas reações são constituídas em nossas preces.
Mas para os que começam a se empolgar com o que parece ser minha mão à palmatória, meu lamento: não qualquer oração, não o rito em busca de ascese, mas a oração que todos fazemos sempre ao transcender o que está aí, aspirando ao que pode estar lá. Nossa espiritualidade profunda é a vida de oração, a imaginação que nos liberta momentaneamente do curso irresistível do tempo e o antecede nos sonhos. A imaginação é a oração inexorável da alma."
Elienai Cabral Jrterça-feira, 12 de janeiro de 2010
Do cheiro..
de passarinho quando canta,
de sol quando acorda,
de flor quando ri.
Ao lado delas,
a gente se sente no balanço de uma rede
que dança gostoso numa tarde grande,
sem relógio e sem agenda.
Ao lado delas,
a gente se sente comendo pipoca na praça,
lambuzando o queixo de sorvete,
melando os dedos com algodão doce
da cor mais doce que tem pra escolher.
O tempo é outro.
E a vida fica com a cara que ela tem de verdade,
mas que a gente desaprende de ver.
Tem gente que tem cheiro
de colo de Deus,
de banho de mar
quando a água é quente e o céu é azul.
Ao lado delas,
a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis.
Ao lado delas,
a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo,
sonhando a maior tolice do mundo
com o gozo de quem não liga pra isso.
Ao lado delas,
pode ser abril,
mas parece manhã de Natal,
do tempo em que a gente acordava
e encontrava o presente do Papai Noel.
Tem gente que tem cheiro
das estrelas que Deus acendeu no céu
e daquelas que conseguimos acender na Terra.
Ao lado delas,
a gente não acha que o amor é possível,
a gente tem certeza.
Ao lado delas,
a gente se sente visitando um lugar feito de alegria,
recebendo um buquê de carinhos,
abraçando um filhote de urso panda,
tocando com os olhos os olhos da paz.
Ao lado delas,
saboreamos a delícia do toque suave
que sua presença sopra no nosso coração.
Tem gente que tem cheiro
de cafuné sem pressa,
do brinquedo que a gente não largava,
do acalanto que o silêncio canta,
de passeio no jardim.
Ao lado delas,
a gente percebe que a sensualidade
é um perfume que vem de dentro
e que a atração que realmente nos move
não passa só pelo corpo.
Corre em outras veias.
Pulsa em outro lugar.
Ao lado delas,
a gente lembra que no instante em que rimos
Deus está conosco, juntinho, ao nosso lado.
E a gente ri grande que nem menino arteiro.
Tem gente como você,
que nem percebe como tem a alma perfumada
e que esse perfume é dom de Deus.
Carlos Drummond de Andrade
